Procurar um emprego é algo difícil e perturbador, por isso não procuro mais, prefiro continuar a viver nas barbas de meu pai, talvez até eu me formar. Falo isso porque ele tem bastante dinheiro e quase não tem com quem gastar, minha mãe faleceu há nove anos e como já disse, sou filho único. Quero um emprego, mas não quero trabalhar. É algo imposto pela sociedade, é difícil explicar, e apesar de não ter uma vida socialmente ativa, sou adepto dos chamados valores sociais.
Sou o oposto de meu pai. Ele é alto, moreno, hábil com as palavras e tem um forte poder de persuasão. Grande advogado, reconhecido em todo o país. Está no ofício desde os 23 e hoje, aos 48, saboreia os prazeres de uma vida de luxo. Foi muito ausente na minha infância, e com a morte de minha mãe tivemos duras discussões. Hoje não nos falamos, apesar de eu receber dele todo mês uma quantia em dinheiro.
Tá, falei um pouco do aspecto físico de meu pai, então agora falarei do meu. Sou baixo, acima do peso, loiro e manco (sim, conseqüência daquela vez em que joguei bola). Áurea diz que eu deveria fazer fisioterapia, mas sempre mudo de assunto, só de pensar que terei de ir constantemente já me dá agonia. Aliás, eu já até me acostumei com meu jeito de andar. Só o que me preocupa é a minha voz, sei lá, às vezes eu me assusto com ela.
Precisando descansar.
thought control
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