Hoje completa uma semana que estou internado, antes que pergunte, ainda não me deram o diagnóstico. Recuperei a consciência ontem à tarde, sem lembrar o que havia ocorrido, onde estava e quase cheguei a me perguntar quem eu era. Vi-me rodeado por presentes de pessoas que, por incrível que pareça, não conhecia. Teve uma tal de Marluce Santos que me mandou uma caixa de bombons caros. Dona Sebastiana me mandou bolo, Seu José das Cruzes me mandou biscoitos... enfim, ainda não estou me sentindo bem, mas fico feliz por ter pessoas que lembram de mim, apresar de eu não as conhecer.
Incrível como eu não me lembro de nada e ninguém se quer, me conta. A última coisa de que me lembro foi que estava caminhando com Áurea e... não me lembro. Parece que bati a cabeça, não me lembro de absolutamente nada. Bem, se eu não me engano essa é a quarta vez que isso acontece, eu devo ter alguma doença grave, não é possível! Já não basta a quantidade de problemas que eu tenho, ainda sou doente mental. Nessas horas a Áurea poderia estar aqui para me ajudar.
Não consigo me separar de Áurea, e às vezes, quando fico sozinho, paro para pensar em coisas que eu nem entendo. A maioria são coisas fúteis, bizarras e até engraçadas, que quase sempre não tiro da cabeça. Fiquei, certa vez, uma semana inteira pensando que em um passado distante, o homem podia falar a língua de todos os animais e conforme a evolução, foi mais conveniente comer os animais do que conversar com eles. O resultado foi óbvio quando contei para o pessoal da faculdade, riram de mim. O mais engraçado que eu acho é que Áurea sempre acha sentido nos meus pensamentos, é uma viagem.
Fatos.
thought control
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